Na madrugada do dia 2 de maio de 2011, Obama, então presidente dos Estados Unidos, declarou que Osama Bin Laden tem seu fim, porém a Al Qaeda não. Portanto, não há como comemorar o fim do perigo iminente de um ataque terrorista. A causa de um grupo se fortifica quando se tem um herói a cultuar, um exemplo a seguir. O líder se torna muito mais forte quando se doa por completo, servindo de cordeiro imolado, um sacrifício por “um bem maior” e um “bem comum”.
É assustador ver o mundo “inteiro” comemorando um assassinato, independentemente de quem tenha sido a vítima, pois esse comportamento rejeita qualquer princípio cristão, o qual se dizia muito imbuído o lado ocidental. A sensação é de que estamos vivendo, ou melhor, nunca saímos da barbárie. Não é possível fugir do modelo maniqueísta tão presente em nossas vidas, mas é indispensável o exercício diário de refletxão sobre as diversas nuance de uma determinada situação, além de lançar o olhar não somente para o fato, mas também para todo o contexto. Por esta razão que não é pretendido neste texto emitir um juízo de valor, mas aguçar nosso poder de questionamentos sobre esta questão que se torna mundial, não só por fatores econômicos, nem políticos, mas de observar, sobre o comportamento humano, algumas dissidências culturais que nos rodeiam, que estão presentes em nosso cotidiano e principalmente em nossas práticas.
O modo imperialista norte-americano de dominação propiciou a formação de uma série de motivações que alimentaram e ainda alimentam organizações políticas com a Al Qaeda. Contudo, deve-se atentar para a instabilidade do Oriente Médio, onde o poder local é diretamente ligado a sustentado pelo mercado internacional, parte social do qual também Osama é oriundo. Já no contexto dos Estados Unidos, as campanhas presidenciais estão lançadas, não há cabo eleitoral mais eficiente que o cadáver de um inimigo nacional, num país ufanista como os Estados Unidos da América, e com isso “a morte virou uma festa”.